terça-feira, 29 de março de 2016

9.5 - O período entre Guerras: a crise de 1929 e os regimes totalitários



Após a Primeira Guerra Mundial os Estados Unidos tiraram proveito da destruição da Europa e tornaram-se, ao longo da década de 1920, a principal potência econômica do mundo, sendo o maior credor e o maior exportador de produtos industrializados. Vivia-se um período de grande entusiasmo e se tinha a ilusão de que os Estados Unidos era a terra da prosperidade onde todos tinham a oportunidade de enriquecer. Porém, conforme europeus recuperavam sua capacidade industrial e sua economia, as exportações norte-americanas diminuíam em passo acelerado. Em 1929 a euforia não era mais a mesma. A queda da bolsa de Nova York, em outubro daquele ano, marcou o auge da crise do capitalismo. 
 Rapidamente a crise se espalhou pelo mundo provocando grande aumento no índice de desemprego, inflação, queda de produção e a falência de centenas de empresas. Na Europa, as dificuldades se agravavam e muitos governos não eram capazes de resolver os inúmeros problemas sociais. Os regimes democráticos, caracterizados por eleições, divisão dos poderes e leis para controlar a ação dos governantes, pareciam não ter resposta para a crise. Diante desse quadro, as elites econômicas, preocupadas ainda com o surgimento de grupos que defendiam a adoção de umregime socialista e querendo recuperar o capitalismo, passaram a apoiar a formação de governos autoritários.

A crise de 1929

     Para compreendermos como ocorreu a falência da economia capitalista em 1929, devemos relembrar algumas das consequências da Primeira Guerra Mundial, encerrada dez anos antes. Durante o conflito mundial a capacidade produtiva dos países europeus, no que se refere a alimentos e produtos industrializados, foi drasticamente reduzida. Isso ocorreu basicamente devido à destruição de boa parte dos meios de produção. Como alternativa para suprir suas necessidades, esses países passaram a importar uma grande quantidade de produtos dos Estados Unidos que, além disso, concediam aos europeus grandes volumes de empréstimos cobrando posteriormente elevadas taxas de juros. Desse modo, enquanto a Europa enfrentava uma crise terrível, os Estados Unidos tiravam proveito da situação e viviam um dos períodos mais prósperos de sua história.
 Abastecendo o mercado europeu com diversos artigos, a produção agrícola e industrial dos Estados Unidos teve um grande crescimento no decorrer da guerra e depois da guerra. Sendo os maiores credores e exportadores do mundo, os norte-americanos viviam um clima de grande otimismo tendo a falsa ilusão de que a prosperidade econômica não teria fim. A década de 1920 foi marcada por grandes investimentos na Bolsa de Valores.[1] Muitos empresários, com o objetivo de aumentar o seu capital, passaram a lançar ações no mercado com a certeza de que essas iriam se valorizar cada vez mais. Contudo, a partir da segunda metade da década de 1920 o cenário vantajoso começou a ser alterado. A produção continuava em ritmo acelerado, porém, o número de consumidores não acompanhava mais o crescimento da produção. Isso ocorreu devido a mudanças ocorridas tanto no plano interno quanto no plano externo.
Internamente, o poder aquisitivo da população não atendia a necessidade da indústria. Mesmo com a economia estando em um grande momento, verificou-se que a riqueza não era partilhada por todos. A renda estava concentrada nas mãos de uma minoria (banqueiros, grandes empresários e especuladores da bolsa de valores, por exemplo) enquanto que o restante, cerca de 60% da população, estava em situação desfavorável, com baixos salários e abaixo da linha da pobreza. Ao mesmo tempo, na Europa, países como França e Inglaterra entraram em um período de recuperação econômica e automaticamente passaram a consumir uma quantidade menor de artigos produzidos pelos Estados Unidos.  A partir dessa mudança os norte-americanos passaram a enfrentar uma grave crise de superprodução, ou seja, uma grande quantidade de mercadorias oferecidas e poucos compradores.
A economia norte-americana manteve-se por algum tempo devido à grande disponibilidade de dinheiro no mercado, o que permitia que os bancos e o próprio governo concedessem empréstimos estimulando as pessoas a comprarem a crédito. Dessa maneira, apesar de o mercado consumidor estar em notável queda, os norte-americanos cometeram o erro de continuar produzindo em grande escala o que obviamente agravou ainda mais a crise.




     Os efeitos da crise

      As consequências foram terríveis e notadas imediatamente, não só na produção industrial, mas também na agricultura e nas atividades bancárias. Primeiramente, a falta de compradores e o grande volume de artigos armazenados provocou uma rápida queda de preços. Apesar de os preços despencarem a cada dia, os produtores industriais e agrícolas não conquistavam mais consumidores. Lucrando cada vez menos, as empresas foram obrigadas a diminuir a produção o que resultou na demissão de milhares de trabalhadores. [2] Entre 1929 e 1932 85 mil empresas declaram falência e a produção industrial nos Estados Unidos foi reduzida em cerca de 54%. Ao mesmo tempo, mais de 4 mil bancos fecharam após terem concedido empréstimos a empresários e a agricultores que não tiveram como pagar suas dívidas.

Por todo os Estados Unidos era comum a cena de desempregados e famintos buscando ajuda e formando filas em instituições que serviam comida. Outro ponto que demonstra bem o impacto da crise diz respeito ao índice de suicídios, que cresceu assustadoramente nesse período.No dia 29 de outubro de 1929 a crise financeira resultou na quebra da Bolsa de Nova York. Com a economia prejudicada muitos procuravam vender as ações que possuíam a qualquer preço. Como a oferta de ações era muito maior do que a procura para a compra, as ações investidas desvalorizaram rapidamente fazendo com que milhares de pessoas e empresas, que acreditavam estar seguras com os investimentos feitos na bolsa, ficassem completamente arruinadas. O pânico tomou conta de Nova York e a crise se espalhou por outros países do mundo, ficando conhecida como a Grande Depressão.
Os efeitos da crise foram sentidos por todos aqueles países que mantinham relações comerciais com os Estados Unidos. Durante e após a Primeira Guerra Mundial, tanto por receberem empréstimos quanto por comprarem os produtos dos norte-americanos, boa parte dos mercados internacionais haviam se tornado dependentes da economia dos Estados Unidos. Entre 1929 e 1939 o comércio sofreu uma dura redução de quase 1/3 de suas atividades em todo o mundo.
Na Europa, a Inglaterra e a Alemanha foram os países que mais sofreram com a crise. Tanto ingleses quanto alemães eram grandes consumidores dos produtos dos Estados Unidos e no caso da Alemanha, a situação se agravava ainda mais devido as penalidades impostas pelo Tratado de Versalhes. Nesses países o índice de desemprego também aumentou muito, chegando a 22% na Inglaterra e 44% na Alemanha. Por fim, a crise de 1929 também teve como importante consequência o fortalecimento de grupos que defendiam a instalação de regimes totalitários alegando que os governos democráticos de caráter liberal eram incapazes de resolver os inúmeros problemas sociais.
A crise sentida no Brasil:
No Brasil a crise teve dois efeitos. Na época a economia brasileira ainda era totalmente baseada na produção agrícola e o café era o principal produto exportado pelos brasileiros.  A maior parte do café brasileiro era comprado pelos norte-americanos que com a crise, logicamente, passaram a consumir menos provocando o estoque do produto no Brasil e consequentemente a queda no preço.
Com o fim da chamada República do “café com leite” e início do governo de Getúlio Vargas, em 1930, milhares de sacas de café foram compradas e destruídas pelo governo brasileiro numa tentativa de impedir que os preços caíssem ainda mais. Se por um lado a economia brasileira e, sobretudo os grandes cafeicultores sofriam com a crise, outro setor, o industrial, foi beneficiado.
Alguns fazendeiros deixaram de plantar café e se voltaram para as atividades industriais. Ao mesmo tempo, por conta da desvalorização da moeda nacional, os produtos importados além de raros tornaram-se muito caros. O governo Vargas compreendeu essa realidade e passou a valorizar e a incentivar a produção industrial brasileira.


New Deal (novo acordo):
um programa para superar a crise

Nas eleições de 1932 Herbert Hoover tentou se reeleger para o cargo de presidente dos Estados Unidos, entretanto, os eleitores preferiram o democrata Franklin Delano Roosevelt, que venceu seu adversário por uma diferença de 7 milhões de votos e governou o país de 1933 a 1945. Roosevelt assumiu a presidência tendo importantes compromissos: recuperar a economia e encontrar uma solução para o problema da falta de empregos.   
Logo no início de seu governo foi adotado o New Deal, um programa inspirado nas ideias do economista inglês John Keynes[3] e que visava superar todos os problemas provocados pela crise. Até então, os norte-americanos eram favoráveis ao liberalismo econômico e contrários a qualquer tipo de intervenção do Estado na economia. Porém, o programa contrariava tudo aquilo que o governo dos Estados Unidos historicamente pregava para o funcionamento da economia. O New Deal previa:

- intervenção do governo em todas as atividades econômicas. O governo passou a regular as atividades bancárias, as operações da Bolsa de Valores e a supervisionar sindicatos e as indústrias.

- no setor trabalhista, o governo decretou carga horária semanal de 40 horas, pagamento do salário mínimo e criou o salário desemprego para proteger os trabalhadores.

- controle, por parte do governo, da produção agrícola e da extração de petróleo e de carvão. Os preços desses produtos também passaram a ser controlados pelo governo.

- empréstimos feitos pelo governo a fazendeiros para que esses pudessem pagar suas dívidas.

- com o objetivo de criar novos empregos, o governo passou a investir pesadamente na construção de grandes obras públicas.  

O programa proposto pelo governo obteve resultados positivos, já que as medidas tomadas garantiram a sobrevivência das pessoas mais pobres e fizeram com que consumo da produção aos poucos se normalizasse. A indústria voltou a produzir e a oferecer novamente oportunidades de empregos para os operários e os agricultores, da mesma forma, conseguiram se recuperar financeiramente. Mesmo assim, a economia recuperou-se totalmente com o início da Segunda Guerra Mundial em 1939 quando os Estados Unidos começaram a fornecer grandes quantidades de produtos aos países europeus.
Apesar de ter sido criticado inicialmente pelos setores mais conservadores da sociedade que o acusavam de comunista por estar intervindo nos assuntos econômicos, o sucesso do New Dealgarantiu a Roosevelt prestigio suficiente para ser reeleito três vezes. Mesmo assim, especialmente na Europa e independente da gradativa recuperação dos norte-americanos, a quebra da economia mais rica o mundo serviu para despertar muitas dúvidas em relação ao modelo liberal da economia capitalista. Para muitos, era preciso um Estado forte e centralizado que substituísse o liberalismo pelo nacionalismo. Surgiriam assim os regimes totalitários. 



A Rússia de Stalin

A crise econômica que atingiu a Europa no período pós-guerra não afetou diretamente a Rússia. No ano de 1917, em meio a Primeira Guerra Mundial, os russo deram inicio a um processo revolucionário retirou do poder o Czar Nicolau II que governava o país de forma absoluta a mais de 20 anos. Após sérias disputas entre diferentes partidos, Lênin assumiu o poder na Rússia e adotou umregime socialista pelo qual o governo tem grande controle sobre a economia e a sociedade. Em 1918 o Partido Comunista tornou-se o único, impedindo qualquer tipo de oposição, e em 1922 foi criada a URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas).  Após a morte de Lênin, em 1824, teve início uma luta interna dentro do PCURSS para ver quem assumiria o poder. Stalin venceu a disputa e em seu governo a União Soviética entrou em uma rápida e intensa fase de industrialização e crescimento econômico. 
O governo determinava o que produzir, como produzir e como distribuir a produção. Com o país fechado para o mercado internacional, entre 1929 e 1940 a produção industrial da Rússia triplicou e o índice de desemprego baixou muito. Muitasfazendas e fábricas foram coletivizadas, isto é, passaram a ser controladas por cooperativas que eram ligadas ao governo. Muitos tiveram que entregar suas posses e passaram a trabalhar nas fazendas e fábricas do Estado. A inexistência de propriedade privada era uma característica do regime socialista.
Além da falta de democracia, o autoritarismo era outra forte marca do socialismo soviético. Osmeios de comunicação eram constantemente censurados e todos aqueles que fossem suspeitos de conspirar contra o governo eram duramente perseguidos, aprisionados e até mortos. Apesar disso, no final da década de 1930 a União Soviética era uma das principais potências econômicas e militares do mundo, contrastando com a realidade da maior parte dos países naquele momento. O modelo político socialista tornou-se automaticamente um risco para as economias capitalistas. Mais tarde, após o fim da Segunda Guerra Mundial, a URSS, representando o modelo socialista, rivalizou com a principal economia capitalista do mundo, os E.U.A, na chamada Guerra Fria. 

OS REGIMES TOTALITÁRIOS

A Europa estava arruinada depois da Primeira Guerra Mundial. Tendo que enfrentar uma das piores crises econômicas de sua história, os europeus sofriam com o desemprego e com a pobreza. A lenta reestruturação produtiva do continente dependia do suporte financeiro dos Estados Unidos e a solução ficou ainda mais distante com a crise do capitalismo em 1929. Os efeitos da crise permitiram o avanço de vários movimentos políticos e ideológicos que propunham diferentes soluções para a crise. Sendo assim, podemos dizer que a quebra do capitalismo abriu caminho para que no decorrer da década de 1930 se formassem e se fortalecessem na Europa de governos totalitários. Nos países atingidos pela crise, havia uma grande insatisfação contra governos - democráticos e liberais - que não encontravam solução para os graves problemas sociais provocados pela falência da economia capitalista. Greves e protestos se tornavam cada vez mais comuns. 
Ao mesmo tempo, o bom momento vivido pela Rússia chamava a atenção de todos. Em alguns países a classe trabalhadora, inspirada no exemplo dos russos, se mobilizou e  passou a defender a adoção do socialismo como novo regime político e econômico. Preocupados com o avanço das ideias socialistas, as elites econômicas (industriais, banqueiros, grandes comerciantes e grandes proprietários rurais) foram favoráveis à formação de governos de extrema-direita [4] que fossem capazes de recompor a ordem social, garantir a recuperação da economia e combater o socialismo. Assim, recebendo apoio das elites, se desenvolveram por toda a Europa os chamados partidosfascistas, que defendiam a construção de um Estado forte, centralizado, nacionalista, anticomunista e totalitário. Na maioria das vezes esses partidos chegavam ao poder fazendo uso de intensa propaganda e de práticas violentas. 

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Dos regimes totalitários mais importantes que se formaram na Europa podemos citar o de Mussolini(Itália, 1922), Hitler (Alemanha, 1933), Salazar (Portugal, 1932) e Franco (Espanha, 1939), todos tendo como base ideológica o fascismo[5]. Apesar de terem semelhanças, os governos fascistas também apresentavam importantes diferenças e as duas vertentes mais importantes foram ofascismo italiano e o nazismo alemão.

O fascismo na Itália
A Itália estava profundamente desgastada economicamente depois da I Guerra Mundial e esse desgaste se refletia na sociedade. Nas cidades, as greves eram frequentes e operários chegaram a assumir o controle de algumas fábricas. A situação no campo não era melhor e milhares de camponeses exigiam que o governo confiscasse as grandes propriedades e as dividissem entre aqueles que não tinham terra. Uma greve de mais de dois milhões de pessoas em 1920 demonstrou bem o estado de caos em que viviam os italianos. A possibilidade cada vez maior de ocorrer uma revolução popular e de caráter socialista trouxe medo aos setores conservadores e industriais que passaram a apoiar o Partido Nacional Fascista, criado em 1921 e liderado por Benito Mussolini, ex-combatente da Primeira Guerra Mundial.
Os “camisas negras”, como eram chamados os militantes fascistas, afirmavam que somente um governo ditatorial e profundamente nacionalista seria capaz de resolver a crise econômica na Itália. O partido cresceu rapidamente, chegando logo a 300 mil filiados. Em julho de 1922 os fascistas conseguiram evitar uma greve geral decretada pelos partidos de esquerda e, em outubro, realizaram a conhecida Marcha sobre Roma na qual contaram com grande apoio popular e de importantes chefes militares. Diante da demonstração de força dos fascistas o governo convidou Mussolini para organizar um novo ministério. [6]   Nas eleições ocorridas em 1924, apesar de serem acusados de fraudar resultados e de fazer uso de violência, os fascistas foram os grandes vitoriosos. Em janeiro de 1925 Mussolini assumiu o poder determinando o fim da liberdade de imprensa, fechamento de partidos políticos e a perseguição aos líderes da oposição.


O nazismo na Alemanha

A instalação de um governo autoritário na Alemanha está diretamente ligada às humilhações que foram impostas ao país pelo Tratado de Versalhes, assinado após o término da Primeira Guerra Mundial. A mudança de regime político ao final da guerra[7] não foi o suficiente para superação dos problemas e o povo alemão continuou convivendo com uma série de dificuldades. Apesar de o país ter retomado o crescimento industrial, a maior parte da população sofria com a falta de emprego, baixos salários, altas taxas de inflação e até mesmo com a escassez de alimento. 
Assim como acontecia na Itália, ocorriam greves e protestos contra a exploração dos capitalistas e grupos entusiasmados com o exemplo do socialismo russo estavam próximos de iniciar uma revolução. Nesse momento, parcela da elite política e econômica da Alemanha declarou apoio ao Partido Nazista, liderado por Adolf Hitler, e que defendia um governo ditatorial prometendo a rápida recuperação econômica. [8] 
Em 1925 Von Hindenburg foi eleito presidente da república, porém, não conseguiu realizar as reformas necessárias. O Partido Nazista aproveitou-se da situação para fazer duras críticas ao governo. Nas eleições de 1932, os nazistas não conquistaram a presidência, porém, obtiveram uma grande vitória no Parlamento (38% dos deputados eleitos eram do Partido Nazista). Em todo o país muitos passaram a ver Hitler como uma salvação. Em janeiro de 1933, diante do agravamento da crise, Hitler foi nomeado por Von Hindenburg para o cargo de chanceler, isto é, chefe de governo.[9] No cargo, Hitler passou a combater com grande força os opositores. Em 1934, com a morte do presidente no mês de agosto, Hitler tornou-se também presidente, concentrando todo o poder em suas mãos, situação que foi aprovada por 90% da população em um plebiscito. Desse modo, graças à desastrosa derrota alemã na guerra mundial, as condições impostas pelo Tratado de Versalhes e ao apoio que receberam das elites preocupadas com a expansão do socialismo, os nazistas chegaram ao poder.[10]
   No primeiro momento Hitler esforçou-se para consolidar o poder alcançado pelo Partido Nazista e, fazendo uso de extrema violência, reprimiu qualquer manifestação contrária ao seu governo eliminando inimigos tanto dentro quanto fora do partido.  Além disso, a bandeira da república foi substituída por uma bandeira vermelha com o símbolo do Partido Nazista (suástica - círculo branco com a cruz gamada em preto). Na perseguição aos suspeitos de traírem o governo, destacou-se a Gestapo (Polícia Secreta do Estado). Todos os partidos, exceto o nazista, foram fechados, assim como os sindicatos e jornais de oposição. [11] Na ditadura nazista, judeus foram proibidos de trabalhar em órgãos públicos, impedidos de se casar com “arianos” e seus bens foram confiscados. Nesse contexto, foram criados inúmeros campos de concentração destinados a prisioneiros judeus, comunistas, ciganos e homossexuais. [12]
Para recuperar a grandeza da Alemanha, Hitler deixou de respeitar as cláusulas do Tratado de Versalhes e a fazer pesados investimos na aeronáutica e no exército. Ao mesmo tempo, no plano externo, Hitler se articulou com governos simpáticos ao seu, como os da Itália e Espanha. Na economia, entre outras coisas, o governo nazista pôs em prática um programa de grandes obras públicas para combater o desemprego, estimulou o desenvolvimento industrial, especialmente no setor bélico, promoveu a qualificação profissional dos trabalhadores e conteve o êxodo rural. Por volta de 1939 a indústria alemã estava atrás apenas da norte-americana. Com a economia estabilizada e com as forças militares recuperadas, Hitler passou almejar territórios vizinhos que considerava como sendo fundamentais para a formação da Grande Alemanha. As ambições de Hitler preparam o caminho para a Segunda Guerra Mundial. 
   As características do totalitarismo
       Totalitarismo significa a presença de um estado forte, cujo poder central tem autoridade absoluta. Esta ideologia defende que o indivíduo deve viver em função do estado. O totalitarismo está baseado no seguinte princípio: “tudo dentro do estado, nada fora do estado e ninguém contra o estado”.
Apesar de algumas diferenças, as características dos regimes totalitários fascismo, na Itália, e na Alemanha, onde se manifestou através do nazismo, são muito semelhantes. Algumas dessas características são:

Militarismo: o estado só poderia crescer se estivesse bem armado. Por isso, muitos recursos foram destinados para as forças armadas (exército, marinha e aeronáutica). 

Nacionalismo e totalitarismo: tudo aquilo que era próprio da nação era exaltado. Ou seja, tudo pela nação, cuja grandeza deve ser buscada por todos os membros da sociedade. Sendo assim, tudo era controlado pelo Estado e dependia dos interesses do governo.

Culto a personalidade: os chefes de estados e suas realizações  eram engrandecidas e constantemente celebradas. A forte propaganda e os discursos calorosos desses chefes colaboraram para esse culto a personalidade.

Unipartidarismo e ausência da democracia: só era permitida a existência de um partido político. Portanto, todos os partidos de oposição eram reprimidos pelo governo. Sendo assim, o povo não tinha oportunidade de participar e decidir politicamente uma vez que não existiam eleições. Além disso, o poder legislativo era extremamente enfraquecido.

Expansionismo: expansão territorial é uma necessidade à sobrevivência da nação; no caso nazista, defendia-se a ideia do "espaço vital" e, como se viu durante o segundo conflito mundial (1939 – 1945), construir a Grande Alemanha. Essa característica está diretamente ligada ao militarismo. 

Racismo: Hitler, por exemplo, considerava a raça alemã superior e por isso com o direito de dominar as raças inferiores. A crença na superioridade racial foi uma característica particular no nazismo. Com base nesse principio Hitler ordenou a perseguição aos judeus.

Repressão: controle sobre os meios de comunicação, órgãos de segurança e sindicatos de trabalhadores.

Anticomunismo: os regimes totalitários estavam comprometidos em combater, tanto dentro quanto fora do país, as ideias comunistas. Assim, ao mesmo tempo em que combatiam o socialismo esse regimes defendiam o capitalismo.

9.4 - A Primeira Guerra Mundial (1914 - 1919)



O número de países envolvidos, o tamanho dos exércitos que se enfrentaram e o número de mortos na guerra que ocorreu entre 1914 e 1918, inéditos até então, explicam o porquê dela ter sido chamada de Primeira Guerra Mundial. Ao terminar a guerra, a Inglaterra deixou de ser a principal potência e os Estados Unidos passaram a controlar a economia mundial. Tanto nos países vencedores como nos países derrotados surgiram graves problemas e o mundo entrou em um período de grande instabilidade.

Os motivos para a Primeira Guerra Mundial  

Apesar de as grandes potências terem praticado durante a maior parte do século XIX a política de equilíbrio de forças, após o fim da guerra franco-prussiana[1], em 1871, teve início um período de grande tensão, conhecido como Paz Armada[2] e caracterizado pela corrida armamentista e pela formação de alianças. A rivalidade entre as grandes potências europeias atingiu seu ponto máximo no início do século XX. A acirrada disputa colonial, a concorrência econômica e a forte disputa nacionalista estão entre os principais motivos para a guerra.


A disputa colonial: a II Revolução Industrial teve como uma de suas consequências a disputa por [3] 
novos mercados consumidores de produtos industrializados e fornecedores de matéria prima, principalmente nos continentes africanos e asiáticos. A intensa disputa por novas áreas coloniais acirrou as rivalidades entre os países europeus e é considerada uma das principais razões da Primeira Guerra Mundial.
Concorrência econômica: A disputa colonial era motivada pela forte concorrência econômica que havia entre os países industrializados. A rivalidade era maior entre ingleses e alemães. Dificultar a expansão econômica do país concorrente foi uma estratégia muito utilizada. 
Disputa nacionalista: Na Europa surgiram vários movimentos nacionalistas que pretendiam agrupar povos de raízes culturais semelhantes dentro do mesmo território e formar assim único Estado. O sentimento nacionalista estimulava a expansão territorial e, logo, o desentendimento entre diversos países. [4]

Em meio a esse clima de tensão, as grandes potências, procurando somar forças para enfrentar uma possível guerra, passaram a firmar tratados de aliança. Em 1907 já estavam formados dois blocos principais. A Tríplice Aliança, formada por Alemanha, Império Austro-Húngaro e Itália, e a Tríplice Entente, formada por Inglaterra, França e Rússia. Os integrantes dos dois blocos passaram a investir ainda mais em armamento e na formação de exércitos. Apesar de a paz ser mantida graças ao sistema de alianças e ao poderio de cada um dos países, estava tudo pronto para a guerra.  O menor incidente já seria suficiente para provocar o início do conflito. 




O início do conflito:

Vários acontecimentos determinaram o começo da guerra, a maioria deles ligados aos interesses nacionalistas e a disputa colonialista. Alemanha e França tinham vários desentendimentos em relação à posse da região do Marrocos, no norte da África. Fazendo valer a política de alianças, os franceses reconheceram os interesses da Inglaterra o Egito e em troca receberam o apoio dos ingleses na discussão com os alemães.  Interessada principalmente no petróleo da região, a Alemanha desejava construir uma ferrovia ligando Berlim até Bagdá, no Império-Turco Otomano. O audacioso plano alemão, além de preocupar a Inglaterra, maior rival econômica da Alemanha, desagradava a Rússia que defendia o pan-eslavismo e pretendia anexar territórios por onde cruzaria a ferrovia.

A questão mais séria, porém, ocorria na região dos Bálcãs onde se chocava o nacionalismo da Sérvia, que recebia apoio da Rússia, e o expansionismo da Áustria-Hungria, que recebia apoio da Alemanha. No dia 28 de junho de 1914, na cidade de Sarajevo, na Bósnia, o herdeiro do trono austríaco, Francisco Ferdinando, foi assassinado por um jovem estudante servo ligado ao grupo nacionalista Unidade ou Morte, conhecido também comoMão Negra.
Esse episódio serviu de pretexto para o governo austro-húngaro reforçar sua aliança com a Alemanha e Itália e declarar guerra a Sérvia, acionando assim, uma extensa rede de alianças. Rapidamente o conflito atingiu grandes proporções. Japão e Romênia entraram no conflito ao lado da Tríplice Entente, enquanto que Turquia e Bulgária entraram ao lado da Tríplice Aliança. Em 1917 os Estados Unidos decide participar diretamente da guerra ao lado de ingleses e franceses.



AS DIFERENTES FASES DA GUERRA

1 ª FASE (guerra de movimento)

A Primeira Guerra Mundial costuma ser dividida em três momentos. A primeira fase do conflito foi caracterizada pela intensa movimentação dos exércitos envolvidos, pela ocorrência de grandes batalhas e pelo equilíbrio entre as diferenças forças. Os alemães tinham convicção de que venceriam a guerra em curto espaço de tempo adotando a estratégia de dominar primeiramente o exército francês, na frente ocidental, para a seguir derrotar os russo na frente oriental. Apesar de obterem importantes vitórias no início da guerra ao invadirem a Bélgica e a França, no oeste as tropas alemãs sofreram com o ataque dos russos.  Com a entrada da Inglaterra no conflito, o exército alemão acabou sendo detido pelos franceses na Batalha de Marne, quando já estavam a 40 Km de Paris. 



2 ª FASE (guerra de trincheiras)

Devido ao fato de nenhum dos lados obterem vantagens sobre o inimigo, a segunda fase foi marcada paralisação dos exércitos, que mais do que quererem avançar sobre o território inimigo procuravam garantir suas posições. Essa segunda fase da guerra ficou conhecida como guerra de trincheiras e marcou o rompimento da Itália com a Alemanha. Para todos os envolvidos ficou muito difícil vencer o inimigo através de estratégias e ataques e cada vitória era obtida a enormes custos financeiros e humanos. Tanto pelo enfrentamento de exércitos, como pela precariedade de recursos e condições de higiene nas trincheiras, que facilitavam a proliferação de epidemias, essa fase registrou o maior número de mortes da guerra.
Procurando impedir que o inimigo recebesse mantimentos essenciais para o esforço de guerra, alemães e ingleses  começaram a fazer uso de seus grandes navios e submarinos. É nesse momento, por exemplo, que o Brasil tem navios atacados por submarinos alemães e rompeu sua posição de neutralidade.  Em março e abril de 1917 dois acontecimentos foram decisivos para o desenrolar da guerra em sua última fase: A entrada dos Estados Unidos e a saída da Rússia.



Março de 1917 - A saída da Rússia

A Rússia retirou-se da guerra em razão dos enormes problemas políticos e sociais internos. Além disso, os soldados russos enfrentavam sérias dificuldades nos campos de  batalha, como falta de comida e munição. Em março de 1917 teve início na Rússia uma revolução popular contra o governo do Czar Nicolau II, que governava o país de forma absolutista, isto é, controlando todos os poderes. A população russa, em sua grande maioria, sofria com à falta de alimentos, combustível, emprego e, especialmente os camponeses, com os altos impostos cobrados.  
 Os revolucionários ocuparam as ruas de São Petersburgo, capital do país, e Nicolau II foi obrigado a renunciar.  O governo provisório que se instalou decidiu, apesar da das dificuldades, manter o exército russo na guerra o que provocou uma nova revolução. O Partido Bolchevique, liderado por Lenin, instalou um regime socialista na Rússia e anunciou a imediata retirada das tropas russas do campo de batalha. Em março de 1917 a Rússia assinou um acordo de Paz com a Alemanha (Paz de Brest-Litovsk). Pelo tratado os russos perderam os territórios  da  Estônia, a Lituânia, a Ucrânia e a Finlândia. Com a morte de Lenin, em 1923, Stalin assumiu a liderança do Partido Comunista. 


Abril de 1917 -  A entrada dos Estados Unidos
                                       
Inicialmente o governo dos Estados Unidos adotou uma posição de neutralidade em relação ao conflito que ocorria na Europa. Essa posição se devia aos grandes lucros obtidos pelos norte-americanos, que, logo perceberam a possibilidade de lucro ao exportarem grandes quantidades de alimentos e armas para os países europeus. Além disso, o governo concedia empréstimos de recursos financeiros que lhe renderiam lucros futuros e esperava, no campo político, intermediar os tratados de paz ao término do conflito. Apesar de sua posição de neutralidade, com o desenrolar da guerra ficou muito claro a preferência dos norte-americanos pelos países que formavam a Tríplice Entente. 
A Alemanha, adotando a tática de impedir que seus adversários recebessem mantimentos, bombardeou embarcações norte-americanas que levavam armas aos ingleses. O ataque sofrido provocou naturalmente a reação do governo dos Estados Unidos que declarou guerra aos alemães no dia 06 de abril 1917.  Além do ataque sofrido, outra importante questão pode explicar a entrada dos Estados Unidos de forma direta na guerra: o temor que havia, principalmente após a retirada dos russos, de a Tríplice Entente ser derrotada e aumentar assim o risco de não receberem o pagamento da grande quantidade de dinheiro emprestado. 

3 ª FASE (o fim da guerra)

O quadro de indefinição  que caracterizou a segunda fase do conflito foi modificado somente em 1917, quando o uso de tanques e aviões possibilitou a superação das trincheiras. A retirada das tropas russas, por mais debilitadas que pudessem estar, representava uma vantagem para a Alemanha que poderia concentrar todas as suas forças na frente ocidental. Porém, a entrada dos Estados Unidos, com mais de um milhão de solados, provocou um grande desequilíbrio de forças e alterou completamente o rumo do conflito. O grande poderio militar dos norte-americanos, especialmente aéreo, foi decisivo para a vitória da Tríplice Entente. Na França, as tropas da Tríplice Aliança conseguiram expulsar os alemães com uma vitória nos campos de batalha próximos ao rio Marne.
No final de 1918, estando completamente derrotada e sem a menor condição de reação, a Alemanha assinou o cessar-fogo que pôs fim a Grande Guerra. A partir de então, começaram as negociações diplomáticas que resolveriam a situação dos vencedores e dos vencidos na Primeira Guerra Mundial. Os alemães acreditavam em uma paz honrosa que foi proposta pelo presidente dos Estados Unidos,Woodrow Wilson, que entre outras coisas defendia o equilíbrio das relações entre os países garantindo a liberdade comercial e que não fossem fixados valores a serem pagos pelos derrotados. Entretanto, o tratado dos “14 pontos de Wilson”, como ficou conhecido, não foi aceito pelos países agredidos pela Alemanha durante a guerra. No começo de 1919, 27 países liderados por ingleses, franceses e norte-americanos, reuniram-se na Conferência de Paris com o objetivo de negociar os acordos de paz. No dia 28 de junho de 1919 foi assinado o Tratado de Versalhes, principal documento redigido nessa conferência.

O TRATADO DE VERSALHES: Para os vencedores, a Alemanha foi a grande responsável pela ocorrência da guerra. Desse modo, o Tratado de Versalhes aplicou duras penas aos alemães que tiveram que:

•  Entregar à França a região da Alsácia-Lorena e outros territórios para belgas, dinamarqueses, poloneses. Além disso, suas colônias foram divididas em diversos países.
•  Entregar material bélico e de transportes aos países vencedores.
•  Pagar uma enorme indenização em dinheiro aos países vencedores (cerca de 30 bilhões de dólares).
•  Reduzir o poderio de seus exércitos (no máximo 100 mil soldados) e ficaram proibidos de possuir aviação militar.
A conferência de Paz de Versalhes aprovou em abril de 1919 a criação da Liga das Nações que deveria agir como mediadora em casos de novos conflitos internacionais. Sua missão seria preservar a paz mundial, atendendo assim a um dos pedidos de Woodrow Wilson.  Por não ter muita representatividade política, já que Estados Unidos e Rússia optaram por não fazer parte da liga, a mesma não teve a capacidade atingir seus objetivos.  
O mundo após a guerra

Além do imenso número de mortos e feridos, a guerra provocou grandes transformações econômicas, sociais e políticas. Os principais países europeus foram destruídos economicamente e tiveram que enfrentar inflação e desemprego.  Ainda durante a guerra, observou-se, principalmente na Inglaterra, na França e na Itália a ascensão da mulher no mercado de trabalho, já que os homens em sua maioria estavam em combate e afastados das indústrias.  Terminada a guerra, as mulheres ganharam mais importância na sociedade.
Lucrando antes de entrarem oficialmente no conflito por fornecerem mantimentos aos países em guerra na Europa, e após, ao liberarem grandes somas de empréstimos que serviriam para reconstruir a Europa, os Estados Unidos foram os grandes vencedores da Primeira Guerra Mundial e tornaram-se a principal potência econômica tomando o lugar que antes era da Inglaterra. Os norte-americanos tornaram-se os maiores vendedores e credores do mundo, ou seja, muitos compravam e muitos deviam para os Estados Unidos.
Houve uma grande mudança no mapa da Europa.  Os três impérios europeus (alemão, austro-húngaro e russo) que dividiam entre si o território da Polônia, tiveram suas fronteiras alteradas depois da guerra e surgiram novos países. 





Com o passar dos anos, foram surgindo na Europa alternativas mais radicais para solucionar a forte crise econômica e financeira. Essas alternativas significaram a consolidação dos regimes totalitários, nazifascista, na Alemanha e na Itália, e socialista, na União Soviética. Por fim, a forma como foi estabelecido o Tratado de Versalhes, punindo rigorosamente a Alemanha, provocou mais tarde a reação das forças políticas que se organizavam naquele país e que não admitiam as humilhações impostas pelo tratado que é apontado por alguns como uma das causas para a Segunda Guerra Mundial, iniciada em 1940.